O passado como ator parece acompanhar
Márcio Garcia em seu segundo filme como
diretor. "Angie", uma espécie de road
movie sobre uma jovem artista em busca do
autoconhecimento, será lançado nesta sexta-
feira (12) no Brasil. Da experiência como
apresentador de "O Melhor do Brasil" --
programa que deixou nas mãos de Rodrigo
Faro em 2008 na Rede Record -- à atuação
em novelas e filmes, Garcia ressurge para o
público brasileiro em nova investida na
indústria cinematográfica. No longa, ele
trabalha ao lado de nomes como Andy Garcia
e a "impossível" Juliette Lewis, que recebeu
carta-branca do cineasta para atuar.
Na trama, uma garota chamada Angie deixa o
Brasil para buscar uma figura perdida em seu
passado, que ela acredita estar nos Estados
Unidos. "É um filme de arte, tem outra
proposta. No 'Predileção' [curta de estreia do
diretor] era um filme de ação, mais
comercial. Já no 'Amor por Acaso' era mais
um filme de 'Sessão da Tarde', a pegada era
outra", disse Garcia .
"Esse aqui é um
road movie, com câmera na mão e uma
linguagem própria dentro da história."
Amadurecendo um estilo próprio de dirigir,
Garcia aposta em um meio-termo com os
atores na hora de conduzir seus filmes. "Se o
ator vem para somente obedecer, bater
continência, ele vai chegar e simplesmente
perguntar sobre a próxima cena. Mas, por
outro lado, se você concorda com tudo o que
eles perguntam, eles ficam inseguros",
explicou o diretor, citando como a
experiência anterior em sua extensa carreira
no mundo do entretenimento o auxiliou. "O
Andy deu muito valor ao fato de eu também
já ter sido ator."
Além do diálogo, a organização no set
também é citada por Garcia como algo que
colaborou para o desempenho dos atores. "A
gente tinha um mínimo de tempo para ser
criativo e deu certo porque a gente veio
afinado, organizado", disse o diretor, que
brincou ao lembrar o nome mais "indomável"
na hora de comandar. "A Juliette é impossível
de dirigir. Ela tem o jeito dela, vem com um
personagem pronto."
Defensor de um estilo de direção que não seja
muito controlador, o brasileiro de quase 43
anos -- o aniversário será em 17 de abril --
comentou sobre como até mesmo os erros
podem ser relevados quando a história e os
atores são ideais. "Com ator e roteiro bons,
tudo vira licença poética", afirmou.
Garcia explica que seu jeito para coordenar os
atores foi um dos atrativos para Andy Garcia
aceitar participar do filme. "Ele é um cara
que gosta de ser dirigido, mas também quer
ter o espaço para criar", contou o diretor,
que teve um primeiro contato com o astro
indicado ao Oscar em 1991 por meio de uma
videoconferência. "Serviu para ele fazer todas
as perguntas. Isso já quebrou esse estigma de
grande astro. Depois a gente se encontrava na
casa do Uri [produtor] para passar o texto.
Quando chegou a hora do set, o gelo já havia
sido quebrado."
Já entre os desafios citados por Garcia ao
filmar "Angie" está o curto período de set,
apenas 20 dias, segundo o diretor. Por mais
breve que pareça, o tempo de gravação foi
maior do que os 15 dias utilizados pelo
brasileiro em "Amor por Acaso", seu primeiro
longa, estrelado por Dean Cain e Juliana Paes
em 2010. "Adiantamos tudo antes de começar
a filmar, pois na hora foi tudo muito rápido.
Tinha cena que eu fazia com take único",
lembrou o cineasta, que enxerga um avanço
apesar da curta carreira atrás das câmeras.
"Sinto uma evolução, você aprende bastante
com os erros."
O elenco também conta com outros nomes
conhecidos como John Savage, mas o
principal destaque está na figura da Camilla
Belle, norte-americana que possui família
brasileira e versa bem nas duas culturas. "Ela
tem a mistura que a gente procurava, tem um
temperamento bastante parecido com o da
personagem Angie", afirma o diretor. "Ela se
moldou ao perfil reservado dos norte-
americanos, mas preservou aquela doçura e
jogo de cintura brasileiros."
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