quinta-feira, 25 de abril de 2013

Frô de "Guerra dos Sexos" diz que se inspirou nas mulheres "que se acham da Globo"

Em clima de despedida e nostalgia, a atriz
Marianna Armellini, a Frô do remake "Guerras
dos Sexos" falou sobre suas
inspirações para compor sua primeira
personagem na TV e sobre o humor feminino
no Brasil.
Longe do estereótipo de uma mulher
"perfeita", Marianna falou com uma amiga,
buscou inspirações no Projac (central de
produção da Globo) e na dança waking
(mistura de vogue e disco, inspirada no funk
dos americanos, na dança de rua). Foi por
meio desses elementos e de sua pesquisa
pessoal sobre figurino que a atriz transformou
a atendente que não é bonita, mas pensa que
é, em uma mulher desejada.

"Mulheres bonitas não se impõem muito,
entram em um local e são vistas. Já eu e as
que não são tão bonitas precisamos fazer
micagens. Tentei fazer da Frô uma mulher
segura, que atrai atenção naturalmente.
Quando entrei na Globo observei as mulheres
bonitas, no meu elenco tem bastante. E
pensei: 'Ah, é assim que é uma mulher que se
acha. Que se acha porque pode. Não tenho
ideia de como é isso".
Na primeira versão da novela de Silvio de
Abreu, o papel foi interpretado pela atriz
Cristina Pereira. "A Frô é popular. Todas as
besteiras estão na boca dela. Essa coisa dela
se achar a mulher mais bonita é engraçado.
Tenho liberdade para criar. Além do 'plus' dos
irmãos gatos (Eriberto Leão e Thiago
Rodrigues) dela né? O texto vem pronto, só
continuei com o caminho que a Cristina
construiu", disse Marianna, que foi convidada
pelo autor da trama por conta de um vídeo
"caseiro" na internet que ela gravou com o
humorista Rafinha [Bastos].
Ao que tudo indica o final de Frô será ao lado
de Kiko (Johnny Massaro) no folhetim das
sete. "Gravei uma cena muito bonita. Bem
diferente do que ela costuma fazer", contou
Marianna, se referindo aos comentários
maldosos da personagem.
"O teatro foi fundamental para formação
do meu caráter"
Atualmente com 35 anos, Marianna não se
importa de não ser convidada para ações
publicitárias, para convites de escolas de
samba e diz que já se conformou em não
interpretar mocinhas na TV. "As pessoas
sofrem muito querendo ser o que não são,
tentando se enquadrar em padrões que não
existem. Na adolescência sofri muito, pois
queria ser a Ana Paula Arósio, a Luana
Piovanni. Queria ter seios, franja...",
relembra.

Conhecida pelos humorísticos "As Olívias" e
"É tudo Improviso", Marianna sempre achou
"incrível" o poder de fazer o outro rir. "Tive
que ser uma pessoa engraçada, porque nunca
fui a mais inteligente e a mais gatinha. Tirava
sarro de mim antes de alguém fazer isso.
Nunca tive medo de ser ridícula".
Ainda estudante de publicidade e propaganda
na ESPM, Marianna ingressou no grupo de
teatro "Tangerina" criado por Dan Stulbach e
foi incentivada pelo ator a ingressar no curso
de cênicas da Escola de Arte Dramática da
USP. "O Dan [Stulbach] foi fundamental. Até
hoje ligo para ele para pedir conselhos, dicas.
Essa semana mesmo estava angustiada por
conta do trabalho e nos falamos. O teatro foi
fundamental para formação do meu caráter
como ser humano, como profissional".

Há oito anos no grupo de comédia "As
Olívias", criado em 2005, dentro da escola de
artes cênicas da USP, Marianna teve a internet
como uma aliada em 2010, quando a segunda
temporada da séria foi vista por 2,5 milhões
de expectadores no YouTube. Em 2011, a
série tornou-se um programa semanal no
canal Multishow.
Sabendo das limitações do humor, a atriz
acredita que o quadro "Porta dos Fundos",
exibido na internet, não deve migrar para
televisão. "O que eles fazem é genial e não
poderiam fazer isso na TV brasileira,
perderiam. Eles não podem ir de jeito
nenhum para TV", referindo-se a ausência de
palavrões e sátiras sobre religião e liberdade
sexual da mulher.

Questionada se seu grupo feminino perdeu
migrando para TV, Marianna explica que "As
Olívias" ganharam muito mais, mas que
deixaram de criar novas piadas. "Perdemos. A
gente se coloca limites. Senti-me livre dentro
das limitações".
Marianna além de achar surpreendente o fato
de alguém fazer o outro rir, defende o humor
como uma representação das mulheres e
acredita que a comédia liberta as pessoas.
"Tirar sarro de você não acaba com as
propagandas lindas do Rio de Janeiro".
"Temos pouco humor feminino porque as
mulheres são criadas para serem certinhas. As
mulheres estão mal representadas no mundo.
E o humor tem uma função social, de colocar
a mulher no seu ridículo para que ela tenha
igualdade com um homem".

Defensora da cultura como arma para destruir
preconceitos, a humorista não sabe definir os
paradigmas do politicamente correto e
incorreto. "Incorreto para mim é corrupção.
Ofendo-me com mulheres seminuas na TV,
com essa necessidade de acharem que isso
ainda é fundamental. A gente está rindo
menos e confundindo o politicamente correto
com ofensas. O mundo está virando um
bando de universitários", disse Marianna se
referindo à forma que estudantes se
denominam donos da razão.
Sobre a migração dos comediantes para
formatos mais compactos da TV, Marianna
acredita que faz parte da evolução do ator,
como qualquer outro profissional que precisa
se testar. "A Tata [Werneck], Marcelo [Adnet],
Dani [Calabresa] e Rafinha querem explorar
seus outros lados, não se acomodar em uma
fórmula que sabem que dá certo. Foram
experimentar novos espaços, direções, artistas
de verdade precisam disso. Ninguém deixará
os palcos", afirmou a atriz, fazendo referência
à própria carreira.
Sem contrato assinado com a Rede Globo
para uma nova produção, Marianna não se
sente pressionada e tem como meta voltar
para os palcos com "As Olívias". "Meu projeto
é continuar atuando. Tenho orgulho de ser
chamada de comediante, mas prefiro não ser
rotulada e explorar novos caminhos. Tenho as
atrizes Heloísa Perissé e Maria Clara Gueiros
como inspirações".

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