quarta-feira, 24 de abril de 2013

Filmes gratuitos eternamente em cartaz na internet

Qualquer pessoa conectada pode realizar seu
próprio video e mostrá-lo online - e isso já não
é mais novidade. O que tem chamando
atenção é que, entre milhões de anônimos, há
cada vez mais diretores mundialmente famosos
fazendo uso da internet como meio de chegar
a seu público de forma dinâmica, rápida e
democrática.
Ridley Scott realizou o projeto A Vida em Um
Dia, com a colaboração de milhares de
internautas que filmaram um dia de suas
vidas; o brasileiro Carlos Gerbase lançou
simultaneamente, em 2012, seu longa Menos
Que Nada nos cinemas, na internet, em DVD e
na TV; Larry Clark (de Kids) lançou seu Marfa
Girl diretamente na internet, com fins
comerciais, E agora há o modo Mostra Grátis
Cine.
"Não estou desistindo do cinema, que é
grandioso. Continuo com a Drama Filmes, uma
produtora convencional de cinema, que gera
empregos", explica Brant. "O que fazemos com
a Mostra Grátis Cine inviabiliza qualquer
formatação para mercado. Ao abrimos mão de
comercializar, saímos do formato e nos
tornamos livres quanto ao tema, tempo e
duração", completa o diretor, que se tornou
nacionalmente reconhecido com longas como
Os Matadores e O Invasor. "Este lado da
criação informal, que não é pessoa jurídica,
chamo de Coletivo Fata Morgana, que rodou
Modo Ave durante o Festival de Arte Serrinha
2012. Junto com colaboradores como A
Cúpula, a banda Mustaches e Os Apaches,
entre outros, formamos um coletivo criativo
que traz novas maneiras de difundir e pensar
cinema."
Para Brant, Luciana Brites e Cisco Vasques, a
decisão de estrear Modo Ave e Absurdo
Fantástico diretamente na internet levou em
conta vários fatores. "Além do suporte online,
se pensarmos em termos de conteúdo, o
cinema comercial cada vez mais elege uma
forma de sucesso. Como é muito caro, a forma
que funciona comercialmente prevalece. Quem
se dedica à diversidade tem que buscar
caminhos alternativos. E a internet é uma
ferramenta potente. Não é só pelo meio, mas
também pela dramaturgia, pela
experimentação, autenticidade", diz Brant.
"Hoje em dia, até mesmo os concursos
públicos que premiam roteiros de filmes baixo
orçamento, que deveria ser um lugar de
experimentar, estão elegendo filmes com
potencial comercial. Temos de ir por outros
meios."

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