sábado, 27 de abril de 2013

"Homem de Ferro 3" fecha trilogia com temas políticos e herói mais humano

Tony Stark exibe seus sentimentos mais
humanos: de crises de insônia e ansiedade a
uma arrogância cativante. Em "Homem de
Ferro 3", que chega aos cinemas brasileiros
nesta sexta-feira (26), o herói conquista o
público ao protagonizar histórias
verossimilhantes ao cotidiano. Ele usa sua
armadura para evitar discussões de relação
com a namorada ou tenta lhe presentear com
algo caro para compensar sua ausência. Nas
cenas mais engraçadas, a armadura falha,
cálculos dão errado e suas frustrações
arrancam risadas da plateia.
O roteiro parte dos acontecimentos de "Os
Vingadores" (2012), quando Stark desenvolve
um transtorno de estresse pós-traumático que
precisa enfrentar durante o filme todo. Para
combater o terrorista Mandarin (Ben
Kingsley), ele terá de lidar com esses
problemas e com a insegurança de Pepper
Potts (Gwyneth Paltrow) --antes de ela vestir
sua própria armadura pela primeira vez, ainda
se sente ameaçada com a presença de Maya
(Rebeca Hall), cientista com quem Stark teve
um affair. Com ares de heroína, Pepper vai
tirar espaço do coronel James Rhodes, o
Patriota de Ferro (Don Cheaddle), parceria
espontaneamente engraçada do herói.
A sequência é a mais política da franquia,
contribuição de Shane Black, diretor de filmes
de ação que faz a sua estreia com a Marvel. A
proposta de Black era trazer tanto o Homem
de Ferro quanto o Mandarin para a
atualidade. Como o universo de criação são
os Estados Unidos, a proposta foi incluir a
temática de terrorismo no pacote.
Cenas que parecem ter saído dos canais de
plantão de notícias fazem referência às
transmissões de Saddam Husseim e Osama
Bin Laden, gravadas com câmeras amadoras
em seus esconderijos. A atuação de Kingsley é
a maior contribuição para a tensão nesses
momentos, com ameaças que mostram o
quanto o mundo real às vezes parece ter saído
de um filme.
Cerca de duas semanas após o atentado na
maratona de Boston, quando ainda se discute
o ocorrido, o filme não poupa cenas de
tortura, terror psicológico, sangue e corpos
amputados. A tragédia real não poderia ter
sido prevista, mas o lançamento do filme
também não foi evitado pela produção.

Herói que cativa crianças
Os efeitos digitais do longa são os mais
avançados desde a estreia da franquia. No
momento mais longe da realidade, pessoas
que cospem fogo lembram que tudo não passa
de uma grande ficção. A qualidade é
suficiente para dispensar o 3D, que não se
mostra uma opção essencial para a
experiência.
Como um bom filme de herói, "Homem de
Ferro 3" não foge dos clichês do gênero. O
bem sempre vence o mal, e a dúvida entre
salvar a mocinha ou o presidente também
estão presentes em alguns momentos. Ainda
assim, cenas apoteóticas envolvendo 42
armaduras, agora controladas remotamente,
devem animar os fãs.
O filme também ganha a primeira relação de
Stark com uma criança, o que traz cenas fofas
e engraçadas com o pequeno parceiro Harley
(Ty Simpkins), parte de uma estratégia da
Disney para levar o público infantil para os
cinemas.
Em seu encerramento, a trilogia "Homem de
Ferro 3" deixa uma sensação de que esse é
um herói que as crianças podem tentar ser
em casa, que leva a tendência tecnológica que
vivemos e discussões atuais ao cinema. Em
um universo de adaptações de quadrinhos
cercado por lançamentos mitológicos,
espaciais, alienígenas ou geneticamente
modificados por uma aranha, Tony Stark com
certeza fará falta.

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