"Somos Tão Jovens", o esperado filme que
conta a juventude de Renato Russo
(1960-1996) pouco antes da formação da
Legião Urbana, foi mostrado nesta sexta-feira
(8) pela primeira vez em Florianópolis, em
evento organizado pela distribuidora Imagem.
O longa de Antônio Carlos da Fontoura
concentra-se nos anos de Russo (vivido por
Thiago Mendonça, que interpretou o cantor
Luciano em "Dois Filhos de Francisco") de sua
formação cultural em Brasília, entre os anos
1976 e 1982. Essa escolha de limitar o
alcance da trama de "Somos Tão Jovens" foi
proposital.
"Quando encontrei Dona Carminha [mãe do
líder da Legião] para falar sobre o filme, ela
me disse: 'Só não me faça o longa sobre o
roqueiro homossexual que morreu de Aids'.",
conta o cineasta. "Era exatamente essa minha
ideia para o longa. Eu não queria fazer um
novo 'Cazuza'. Queria filmar a história de um
menino que se reiventava e estava em
transição entre a vida adolescente e adulta."
O ponto de suporte da obra é o seu
protagonista. Apesar de um início claudicante,
Mendonça aos poucos vai dominando o
personagem, difícil por várias razões: 1) a fala
imposta, quase antipática; 2) a necessidade de
cantar e tocar para passar veracidade; e 3)
atuar na pele de um dos artistas mais
idolatrados do país, uma figura quase
messiânica.
"Minha relação com Renato Russo era de
ouvinte apenas", afirma Thiago Mendonça,
que precisou aprender a tocar violão e baixo
elétrico em ensaios que iam das 9 da manhã
até 7h da noite -além de se mudar por três
meses do Rio para Brasília. "Eu tenho amigos
e até minha família como loucos pela Legião,
mas eu não acho que seria saudável me
preocupar com os fãs. Fiz o filme para mim,
Fontoura e para Renato Russo."
Apesar da vida do cantor se confundir com a
história do próprio rock brasileiro recente,
houve espaço para liberdades criativas. O
segundo nome mais importante do longa, Ana
Cláudia (Laila Zaid, a melhor coisa da
produção), que teria uma amizade colorida
com Russo, foi inventada.
"Ela é um amálgama de várias namoradinhas
de Renato. A mãe dele me falou que o
encontrava à noite com meninas. Ele estava
na fase de se encontrar", diz Fontoura. "Eu fui
a peça do elenco com mais liberdade, porque
era a única que não precisava se basear em
uma pessoa de verdade. Li vários livros, tive
várias conversas sobre Renato, mas não fiz
nenhuma grande pesquisa", completa a atriz.
Entre aparições de vários astros do rock
brasileiro dos anos 80, como Herbert Vianna
(Edu Moraes, que sempre arranca risadas com
sua interpretação do vocalista do Paralamas
do Sucesso) e Dinho Ouro Preto (Ibsen
Perucci, a cara do líder do Capital Inicial),
"Somos Tão Jovens" é um filme para fãs. É
todo permeado por canções conhecidas de
Renato Russo, seja no comando de sua
primeira banda, o Aborto Elétrico, seja em
um pequeno período atuando solo.
"Seguimos uma ordem cronológica. Cada
canção marca um período importante da vida
de Renato", explica Carlos Trilha, responsável
pela direção musical e que tocava com a
Legião Urbana nos anos 1990. Mas existe a
adoração um pouco exagerada: o filme é
repleto de referências que um dia,
supostamente, viram músicas famosas.
Em certas ocasiões, as situações parecem
forçadas e viram uma brincadeira digressiva.
Na maior delas, aparece um personagem que
atrai Renato Russo e os dois saem sem muita
explicação para Taguatinga, que seria um
tributo a "Faroeste Caboclo".
Um pouco mais desse tempo poderia ter sido
usado para ir além na vida de um dos maiores
nomes do rock nacional. "Somos Tão Jovens"
para no primeiro show do grupo no Rio, no
Circo Voador. Mas o carisma e as canções da
Legião Urbana devem garantir uma bela
bilheteria para a biografia de Renato Russo. O
filme está com data de estreia prevista para 3
de maio.
sexta-feira, 8 de março de 2013
"Não queria fazer um novo 'Cazuza'", diz diretor de filme sobre Renato Russo
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