sexta-feira, 8 de março de 2013

"O perigo era criar uma personagem melada", diz Michelle Williams sobre bruxa boa de "Oz"

De 2004 a 2011, Michelle Williams fez, em
média, dois filmes por ano. Em 2012, porém,
apareceu apenas em "Entre o Amor e a
Paixão" e em 2013 será vista apenas em "Oz,
Mágico e Poderoso", que estreia no Brasil
nesta sexta (8).
"Faz um tempão que eu quero fazer só um
filme por ano", ela admite, "mas teve uma
época que acabei fazendo dois ou mais, talvez
porque eles fossem pequenos. 'O
Atalho' (2011), por exemplo, filmei em um
mês e meio; 'Sete Dias com Marilyn' (2011)
foram três meses. 'Oz, Mágico e Poderoso'
levou sete, e isso foi há mais de um ano.
Desde então, não fiz mais nada, o que me
deixa perto do meu objetivo de fazer um
trabalho só a cada doze meses".

Com "Oz, Mágico e Poderoso", Michelle
encerra então a cota de filmes do ano. Ela
está mais ou menos comprometida com algo
intitulado "Suite Française", que ainda está
longe de se tornarrealidade. Assim, pelo
menos por enquanto, Michelle se diz mais que
satisfeita em assumir apenas o papel de mãe
de Matilda na casa onde moram, no Brooklyn.
"Não tenho nada certo para contar", ela diz.
"'Suite Française' seria o próximo passo
natural, mas não tem nada definido ‒ e eu
aprendi que, até você estar dentro do estúdio,
filmando, não tem nada decidido. Do jeito que
a coisa está agora, já faz mais de um ano que
estou parada."
"Não gosto de me matar de trabalhar",
confessa a atriz. "Não gosto de ficar muito
tempo afastada da minha família. Então, faz
meses que não faço nada, mas não me sinto
inquieta. Naquela época fiz tantos filmes por
causa do material que tinha nas mãos."
"Faço filmes por uma única razão: falta de
opção; quando não posso recusar, quando
sinto que é absolutamente essencial", ela
conclui. "Do contrário, prefiro levar a
criançada de um lado para o outro e fazer
biscoitos em casa."

Via de regra, a atriz sempre prefere os longas
menores, independentes. "Ilha do
Medo" (2010), entretanto, foi uma exceção,
assim como "Oz, Mágico e Poderoso", um
espetáculo exuberante da Disney criado pelo
diretor Sam Raimi. O filme é um tipo de
prólogo de "O Mágico de Oz" (1939) e mostra
Oscar (James Franco), um mágico de circo
meio trambiqueiro que acaba indo para Oz,
cujos habitantes o encaram como o salvador
profetizado. Michelle faz dois papéis: o de
Annie, a namorada de Oscar na realidade, e o
de Glenda a Bondosa em Oz.
Bruxa poderosa, Glenda duvida que Oscar seja
realmente o mágico das profecias, mas,
apesar disso, escolhe acreditar nele ‒ e sua fé
é posta à prova quando as irmãs más Evanora
(Rachel Weisz) e Theodora (Mila Kunis) (a
segunda depois se transforma na Bruxa
Malvada do Oeste) se dispõem a destruir Oz e
Glenda.
"Gostei da forma como David Lindsay-Abaire
encarou e compôs a Glenda", diz Michelle,
por telefone, de um hotel em Los Angeles.
"Para mim, o roteiro tem um elemento
daquele humor maluco dos anos 1930. Não
sei até que ponto ele passou para o filme,
mas, sem dúvida, foi uma das coisas que me
atraíram."
"Também tem o fato de que eu meio que
conhecia o Sam Raimi", ela acrescenta. "Já
tínhamos sido apresentados. Ele é o típico
homem de família e é esse sentimento que
cria em relação às pessoas ao seu redor. Você
se sente segura. O set dele sempre dá a
impressão de ser uma casa, por maior que o
trabalho seja, o que é legal porque já tinha
trabalhado assim antes."
"Sabia que ele não seria um tirano nem um
maluco gritando ou um megalomaníaco",
prossegue. "Na minha cabeça, só um cara
assim que poderia dirigir esse tipo de filme.
Errei feio porque não rolou nada disso com o
Sam."
Interpretar Glenda foi um desafio diferente
para Michelle, que adorava o clássico de
1939, mas não conhecia os livros de L. Frank
Baum até pouco antes de começar o trabalho:
a atriz, três vezes indicada ao Oscar, teve que
encontrar o equilíbrio entre exibir bondade e
pureza, mas sem exagerar na doçura a ponto
de torná-la caricata.
"Era exatamente isso que eu NÃO queria",
enfatiza. "O perigo é criar uma personagem
tão melada que, no fim, fica até enjoada e
ninguém quer ver. Era a última coisa que eu
queria."

"Pensei um tempão sobre como dar dimensão
a uma pessoa que não tem um lado sombrio",
explica, "e acabei chegando à conclusão de
que, se não podia mostrar defeitos, tinha que
acrescentar outro tipo de característica numa
criatura tão bondosa. Pensei em fazê-lo
através do humor ‒ mas que tipo de humor
tem uma bruxa?"
"Além do mais, eu podia ter medos",
prossegue. "Ela podia duvidar de si mesma. E
assim foi, tentei acrescentar esses detalhes
para que ela não fosse uma personagem
unidimensional."
Michelle contracenou a maior parte do tempo
com James Franco, embora tenha feito
algumas cenas inesquecíveis com Mila e
Rachel.
"Pena que trabalhei pouco com as meninas",
lamenta ela. "A gente praticamente só se
reúne na cena final, ou seja, acabou se
divertindo mais fora da tela do que nela."
"Adorei trabalhar com o James", ela continua.
"Nós dois curtimos poesia e eu achei o
máximo trocar ideia com ele sobre isso, fazer
um monte de perguntas e receber um monte
de conselhos de profissional."
O resultado é um filme interessante e mágico,
embora um tantinho assustador. Quando
pergunto se ela vai deixar Matilda, a filha de
sete anos que teve com Heath Ledger, ver o
filme, ela faz uma pausa.
"A minha filha vai ter uma experiência
diferente da de outras crianças de sua idade",
responde por fim. "Ela estava no set
praticamente todo dia. Sabe o que acontece,
então não acho que o filme lhe cause o
mesmo efeito."

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